Thursday, 13 August 2026

Bem-Estar

 


Na Revista Cavalo Árabe de Julho de 2026

Por algum acaso, passou aí pelo seu algoritmo o nervo vago? Ou essa pergunta deu um nó na sua cabeça? Então, apertemos a tecla SAP por um momento. O ChatGPT nos ensina que um algoritmo é “um conjunto de instruções organizadas para chegar a um resultado” e o algoritmo que te pertence estudou todos os seus hábitos, deu-lhes uma forma lógica e agora norteia a grande maioria das informações que chega às suas mãos. Presente na nossa vida diária, ele impacta profundamente nas decisões que tomamos e nas notícias, verdadeiras ou não, que recebemos através dos computadores, aparelhos celulares, câmeras de vigilância e outros tantos. Ele absorve nossos hábitos de trabalho, de entretenimento, de referências e os devolve em forma de ideias e noções que vão direcionar até as nossas mínimas escolhas.

O seu algoritmo conhece todas as suas preferências: de cor, de paladar, de horários, de leituras, de esportes. Sabe quais são seus ídolos e seus desafetos, seus amores e seus temores. Se você prefere o campo ou o mar, a música erudita ou o rap. O algoritmo partilha até dos seus segredos, aqueles que nem às paredes você confessa.

Não raro conversamos com amigos sobre uma viagem que gostaríamos de fazer e logo depois passamos a receber em nossas redes sociais fotografias e sugestões de roteiros para aquele mesmo lugar que mencionamos. Como pode? Um algoritmo silencioso programado para captar determinados elementos lhe devolveu informações dirigidas. Neste caso, a opção de usar esses dados, ou não, é sua, mas quantas outras escolhas você já não fez achando que foram de livre arbítrio, mas, que na realidade eram direcionadas? Oh!

Tudo isto posto, chegamos ao nervo vago, que agora está em voga. Nervo este que nossos queridos cavalos também têm e cujas funções são as mesmas para nós e para eles. Controlar a frequência cardíaca, estabilizar a respiração e as atividades gastrointestinais — no caso dos animais especialmente importante devido à complexidade de seu sistema digestivo — e também facilita a comunicação entre os órgãos e o cérebro.

Na eterna busca do bem-estar que a sociedade moderna vive, a moda agora é ativar este mais longo nervo do corpo. Presume-se que ele tem a capacidade de regular emoções e traz equilíbrio quando bem estimulado. Veteranos de guerra com traumas, pessoas com problemas de inflamação, com imunidade baixa, foram submetidas a tratamentos e obtiveram resposta positiva. Uma vez que o nervo vago vai desde o cérebro até o intestino, usá-lo como meio de comunicação neurológica é natural. Concretamente, técnicas com implantes cirúrgicos para a estimulação do vago já foram usadas com sucesso para tratamentos de epilepsia e depressão.

A terapeuta Renata de Abreu dá cinco passos para obter resultados satisfatórios com o grande nervo: respiração lenta e prolongada (expirar por mais tempo do que inspirar); meditação entoando sons como “ommm” que fazem vibração nos ouvidos e na garganta; estímulo com as mãos ao redor e na parte interna das orelhas, descendo até as clavículas; gargarejos; água fria no rosto.

Muito bem, não foi o seu algoritmo que lhe apresentou o nervo vago e sim a revista Cavalo Árabe, mas com certeza valeu a dica. Agora, se nós, seres humanos, partilhamos com os animais este longo nervo é pena que não temos como treiná-los para fazer gargarejos e mesmo meditar com o “ommm”.

No comments:

Post a Comment