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Thursday, 13 August 2026

Bem-Estar

 


Na Revista Cavalo Árabe de Julho de 2026

Por algum acaso, passou aí pelo seu algoritmo o nervo vago? Ou essa pergunta deu um nó na sua cabeça? Então, apertemos a tecla SAP por um momento. O ChatGPT nos ensina que um algoritmo é “um conjunto de instruções organizadas para chegar a um resultado” e o algoritmo que te pertence estudou todos os seus hábitos, deu-lhes uma forma lógica e agora norteia a grande maioria das informações que chega às suas mãos. Presente na nossa vida diária, ele impacta profundamente nas decisões que tomamos e nas notícias, verdadeiras ou não, que recebemos através dos computadores, aparelhos celulares, câmeras de vigilância e outros tantos. Ele absorve nossos hábitos de trabalho, de entretenimento, de referências e os devolve em forma de ideias e noções que vão direcionar até as nossas mínimas escolhas.

O seu algoritmo conhece todas as suas preferências: de cor, de paladar, de horários, de leituras, de esportes. Sabe quais são seus ídolos e seus desafetos, seus amores e seus temores. Se você prefere o campo ou o mar, a música erudita ou o rap. O algoritmo partilha até dos seus segredos, aqueles que nem às paredes você confessa.

Não raro conversamos com amigos sobre uma viagem que gostaríamos de fazer e logo depois passamos a receber em nossas redes sociais fotografias e sugestões de roteiros para aquele mesmo lugar que mencionamos. Como pode? Um algoritmo silencioso programado para captar determinados elementos lhe devolveu informações dirigidas. Neste caso, a opção de usar esses dados, ou não, é sua, mas quantas outras escolhas você já não fez achando que foram de livre arbítrio, mas, que na realidade eram direcionadas? Oh!

Tudo isto posto, chegamos ao nervo vago, que agora está em voga. Nervo este que nossos queridos cavalos também têm e cujas funções são as mesmas para nós e para eles. Controlar a frequência cardíaca, estabilizar a respiração e as atividades gastrointestinais — no caso dos animais especialmente importante devido à complexidade de seu sistema digestivo — e também facilita a comunicação entre os órgãos e o cérebro.

Na eterna busca do bem-estar que a sociedade moderna vive, a moda agora é ativar este mais longo nervo do corpo. Presume-se que ele tem a capacidade de regular emoções e traz equilíbrio quando bem estimulado. Veteranos de guerra com traumas, pessoas com problemas de inflamação, com imunidade baixa, foram submetidas a tratamentos e obtiveram resposta positiva. Uma vez que o nervo vago vai desde o cérebro até o intestino, usá-lo como meio de comunicação neurológica é natural. Concretamente, técnicas com implantes cirúrgicos para a estimulação do vago já foram usadas com sucesso para tratamentos de epilepsia e depressão.

A terapeuta Renata de Abreu dá cinco passos para obter resultados satisfatórios com o grande nervo: respiração lenta e prolongada (expirar por mais tempo do que inspirar); meditação entoando sons como “ommm” que fazem vibração nos ouvidos e na garganta; estímulo com as mãos ao redor e na parte interna das orelhas, descendo até as clavículas; gargarejos; água fria no rosto.

Muito bem, não foi o seu algoritmo que lhe apresentou o nervo vago e sim a revista Cavalo Árabe, mas com certeza valeu a dica. Agora, se nós, seres humanos, partilhamos com os animais este longo nervo é pena que não temos como treiná-los para fazer gargarejos e mesmo meditar com o “ommm”.

Saturday, 30 August 2025

O Abacaxi como Senha

                                         

Diz o colunista Leo Aversa, do jornal O Globo, que o movimento começou na Espanha. Com a constatação de que muitos solteiros fazem compras de supermercado em determinado horário da noite, após o trabalho, eles acharam interessante identificarem uns para os outros sua disposição em iniciar algum tipo de relacionamento. A solução encontrada foi colocar um abacaxi de cabeça para baixo no carrinho de mercadorias. Simples assim.

Se você encontra alguém que chama sua atenção e que porta esse fruto “plantando bananeira” junto a suas compras, basta dar uma batida no carrinho do seu objeto de interesse e iniciar uma conversação. Os agricultores do setor de abacaxis devem estar muito satisfeitos, porque parece que a moda realmente se alastrou.

Vale tudo para aproveitar a onda da brincadeira. A BBC News reporta que um grupo de supermercados faz propaganda na qual afirma que “as pessoas podem se encontrar em qualquer estabelecimento, mas que casamento mesmo é só no deles.”

Uma rede de televisão lançou o horário especial chamado “Caso o supermercado não funcionar”, oferecendo a alternativa de programas com filmes românticos como o “Comer, Rezar e Amar”. Até políticos se aproveitaram da novidade e fizeram a caricatura do primeiro ministro espanhol segurando um abacaxi, à procura de quem o apoie e aprove seu orçamento.

O leque na mão de uma dama, a janela na qual ela podia se debruçar, bem como a técnica de passear com o cachorrinho já foram os responsáveis por propiciar flertes, paqueras, namoros e até casamentos nos tempos d’antanho. Agora, com o supermercado transformado em aplicativo de encontros, que rivaliza com o Tinder e outros que tais, e o abacaxi ter se tornado um avatar declarado, sair do virtual e partir para a realidade pode ser bem saudável.

E por falar em cara-metade, consórcio, matrimônio e similares, esta edição da Revista do Cavalo Árabe aponta as matrizes aristocratas da criação brasileira, numa pesquisa realizada em todas as exposições Nacionais. Elas fazem parte do grupo privilegiado de fêmeas que se destacaram na reprodução de animais de excelência reconhecida. São a nobreza, a nata, uma classe a parte, que retém o poder dos genes sofisticados, requintados, que moldam a nossa tropa com distinção.

A exemplo delas, cada haras tem a sua aristocrata. A (ou as) fêmea que repetidamente produziu qualidade. Quem participou do leilão de coberturas promovido pela nossa Associação, num esforço junto com criadores diversos, pode idealizar o resultado final do cruzamento de sua aristocrata com determinado garanhão e, de quebra, ajudou a angariar fundos que, entre outros destinos, são revertidos como patrocínio de prêmios variados para as competições do cavalo Árabe.

As ofertas múltiplas de sêmen de garanhões, não só do Brasil como do exterior, são sempre acompanhadas da facilidade de se fazer pagamentos em parcelas. Casamentos daquelas éguas singulares, a fidalguia de cada haras, foram sonhados naquela noite e em breve serão realizados.

O melhor dessa abordagem é que o comprador nem precisou se valer de um abacaxi.

Thursday, 21 August 2025

Cavalos ao vento

 

Galopam livres pela imensidão,

Com força nos músculos, alma em canção.

Crinas ao vento, olhos de brasa,

Trazem nos cascos a poeira da casa.

 

São rios que correm em forma de ser,

Selvagens ou mansos, prontos a viver.

Têm a nobreza dos reis do passado,

E o coração de um amigo alado.

 

Nas pradarias, sob o céu aberto,

Cada galope é um sonho desperto.

A terra vibra sob seu trotar,

E o tempo parece até se calar.

 

São trovões com pele e beleza viva,

Força que encanta, que nunca esquiva.

Olham o mundo com dignidade,

E seguem firmes com lealdade.

 

Ó cavalo, espírito forte e fiel,

Tu levas a alma para além do papel.

Na tua corrida há algo divino,

Um eco antigo, um traço do destino.

(Scribd – arthuruequedt)

Thursday, 23 January 2025

Chame a Tech!

 Texto publicado na Revista do Cavalo Árabe

 

Quer falar ao telefone enquanto cavalga sem precisar usar as mãos? Ache a Tech! A mágica é acoplar ao braço um aparelho, que proporciona seu bate-papo ao celular enquanto você segura as rédeas normalmente. E viva a Tech!

Precisa reproduzir movimentos da estrutura muscular e óssea de seu equino para auxiliar no diagnóstico de problemas ou prevenir lesões? Chame a Tech! Um cavalo robô já existe para emular toda a cadeia morfológica que trabalha para colocar sua montaria em ação. A tecnologia está cada vez mais próxima da medicina veterinária equina e só tem a acrescentar e ajudar na melhoria da performance dos cavalos.

O monitoramento de batimentos cardíacos através de aparelhos melhora as rotinas de treinamento, evita a possibilidade de lesões, e mantém o cavalo em boa forma física. Os sensores acoplados aos cavalos inspecionam parâmetros, garantem a detecção a tempo de anomalias na saúde do animal, permitem a intervenção imediata e estabelecem rotinas de treinamento adequadas ao cavalo atleta. Ferramentas Tech que, adaptadas aos equinos, garantem sua saúde e bem-estar. Já ouviu falar do Colicheck É um entre diversos outros aparelhos que vigiam um cavalo para detectar uma crise de cólica. Precisa saber a quantas anda a prenhez da sua égua? Chame a Tech, nesse caso, o próprio Colicheck é uma alternativa.

Tornar melhor a vida do criador, do cavaleiro, do tratador, do veterinário e do próprio animal é função para a qual a Tech contribui de forma exemplar. E ela cobre uma variedade imensa de utilidades. Acompanhar o movimento da tropa no pasto com os aparelhos de rastreamento e o GPS — sistema de posicionamento global — ajudam a detectar não só a localização e movimentação dos cavalos na fazenda, como da égua que esteja prenhe; daqueles que se desviam do grupo; que estejam perdidos ou que tenham sido roubados. É a Tech que circula pelas ondas do ar!

Além do que, animais de esporte quando acompanhados pelos aparelhos tecnológicos se beneficiam do pronto retorno em termos de informação sobre sua performance.

E o que você acha da utilização da realidade virtual (VR) para o treinamento de cavaleiros? Num ambiente controlado, sem riscos de acidentes, com um headset é possível experimentar saltos de obstáculos nas mais diferentes trilhas e pistas. Da mesma forma, a realidade virtual melhora a possibilidade de recuperar o animal de uma lesão.

Um VANT (veículo aéreo não tripulado) — ou SARP (sistema de aeronave remotamente pilotada) — também é um avanço tecnológico usado para monitoramento das atividades equinas. Mais conhecido como drone, essa tecnologia é útil para fotografias, filmagens aéreas, mapeamento, monitoramento ambiental, inspeções e entregas de suprimentos.

Em parceria com a Tech, torna-se fácil para o cavaleiro de qualquer ponto do mundo divulgar suas habilidades com o avanço tecnológico, o que eventualmente acaba por disseminar um esporte e o popularizar. Salve Tech!

Criador de cavalos da raça Árabe, o também endurista Ricardo Saliba, do Haras Ilha da Chapada (Rach Stud) costuma se valer de filmagens com drones para acompanhar suas trilhas de cavalgadas na fazenda e comenta que, além da utilidade óbvia do aparelho, as tomadas do cenário ficam belíssimas, fornecendo uma outra dimensão espacial do local.

Comentamos aqui somente um ínfimo número de avanços da Tech. E, embora ela ainda tenha um alto preço, proporciona um melhor conhecimento do comportamento animal de esporte, de suas preferências e de sua fisiologia. É bom lembrar, no entanto, que nada substitui a compreensão intuitiva e a conexão emocional de cavalo-cavaleiro.

(N.A.: na foto, procedimento de chipagem de um equino)

Tuesday, 7 January 2025

Superstição

 Texto Publicado na Revista do Cavalo Árabe:

Existem ferramentas na internet com as quais você descobre o assunto que mais atrai neste exato momento os curiosos, os interessados, os que gostam de debater, os que adoram polemizar. No último dia 23 de outubro, um item bombava nos trends brasileiros: a declaração da socialite Narcisa Tamborindeguy de que já tomou banho de champanhe para tirar o mau olhado. Um assunto muito importante, de relevância e grande impacto no dia a dia tupiniquim, quiçá no mundo.

Superstição, assim como times de futebol, política e religião não se discute. Aliás, ela faz parte da religião, da crença de cada um, uma questão de foro íntimo. Você pode não acreditar que dá azar passar embaixo de uma escada, mas sem dúvida quando vê uma aberta a sua frente, a questão de seguir reto adiante ou desviar passa zunindo em seu pensamento. Confessa! Na pior das hipóteses você se questiona se é se-gu-ro passar por baixo, não é que o azar vai se abater na sua vida, mas se aquela porcaria cai ou não em cima da sua cabeça!

Portar uma figa no pescoço ou um olho grego; ter um pé de coelho no chaveiro ou no retrovisor do carro; só usar as cores branca e azul como o Roberto Carlos, o Rei da música no Brasil; não deixar sapato virado no chão ou pendurar o cabide de trás pra frente. Quem nunca?

Se por um lado “o triz nos espreita”, como diz a autora Carla Madeira, para tudo (ou quase tudo) há uma simpatia que nos previne do suposto mal a rondar. As irmãs Monique e Nicole Sasso fizeram uma coletânea de salvaguardas “Para Crentes e Descrentes”. Então, não se apoquente, que o filho já nasce com a própria mamadeira...

As tralhas de montaria estão embarcadas no caminhão e o seu cavalo partirá em breve para uma competição, faça um amuleto para preservar a saúde dele: junte um punhado de erva cidreira, acrescente uma ametista e use linha verde clara para costurar. Ou para ter sorte no campeonato, procure um golfinho dourado, adicione arruda e manjericão. Para fechar esse talismã, utilize uma fita amarela. É preciso deixá-lo sempre à vista para que funcione.

Se vai haver premiação na exposição, para atrair o dinheiro, pegue uma moeda pequena, um dente de alho e uma pedrinha de carvão, junte-os e para fechar use uma fita amarela. É importante guardar seu feitiço junto com o comprovante de pagamento da inscrição na prova.

Se você não é o Ayrton Senna, um ás pilotando na chuva, e prefere tempo seco no dia do seu enduro, desenhe um sol bem bonito numa folha em branco. Dentro da imagem escreva que quer que a chuva vá embora e que o tempo se firme. Coloque sua obra de arte numa parede e olhe o sol por alguns minutos. Tudo isso com muita fé!


Todos esses preparativos te deixaram estressado? Recheie um travesseiro de pano branco macio, de 20 centímetros, com flores de laranjeira. Basta usá-lo por sete noites, depois desmanchar e jogar as flores em água corrente. Outra alternativa é misturar 30 gramas de folhas de erva cidreira, dois cravos da Índia e meio litro de vinho tinto. Ferver por três minutos e beber uma colher de sopa ao deitar.

Imprescindível manter em segredo os preventivos que você faz e esperar pelos resultados sem ansiedade, para que a energia não seja bloqueada.

Tudo isso acima é muito mais em conta do que uma garrafa de champanhe francês, que nas melhores casas do ramo, devem estar custando, no barato, uns 300 reais.

Muito boa sorte e axé!

Wednesday, 21 August 2024

Sobre Reis, Rainhas e Príncipes

 Na Revista Cavalo Árabe de Novembro 2023


O ócio do feriado prolongado nos bota pra pensar. E se fossemos governados por uma monarquia? Os coroados são educados para reinar, têm que ter um conhecimento profundo de todas as coisas importantes. Há linhagens, pedigrees, bem sucedidos por aí. Claro que cobram caro por seu trabalho, mas ainda assim... Ou não. Ainda teríamos que votar nos nossos representantes e arcar com as consequências dessa escolha. Além do mais, eles têm mania de dizer que são os representantes de Deus na terra e agem como se tudo pudessem. Nah, não ia prestar.

Por falar em monarquia, nós, criadores de cavalo Árabe, responsáveis por cuidar dessa nobreza, nos preocupamos com pedigrees e linhagens. Fenótipo e genótipo. E temos um leque de garanhões entre os quais escolher para levar adiante nossa produção, tanto do Brasil quanto do exterior. Ah, sim, e com a disponibilidade de óvulos e alguns ventres de ouro, as fêmeas de destaque também estão sob o escrutínio do produtor.

Num dia de sol escaldante, a veterinária avisa que conseguiu um óvulo da mais importante fêmea do haras com uma das majestades reinantes. Cruzar da casa até as baias é cruel. Mas é a vida que nos chama! Então, vamos lá. No ambiente estéril da farmácia, apenas o microscópio está iluminado. Nele, aquele pingo de existência é emocionante.

Depois de passar pelo processo de coleta, transporte, verificação da saúde do sêmen (perfeito – que felicidade, que felicidade!), ocorreu a inseminação. Vem a espera (suspense), até que o ultrassom mostre um resultado positivo. Um príncipe venceu a corrida entre vários concorrentes e formou um embrião, que traz uma gama de expectativas. (Já comentamos nesta coluna o vídeo que se encontra no YouTube chamado “O Cara”. Um bando de espermatozoides disputa o privilégio de ser o primeiro a chegar ao óvulo. Lá de trás vem um deles bailando, carregando uma rosa e passa à frente dos outros, sendo recebido imediatamente. Quem tiver curiosidade: http://www.youtube.com/watch?v=QVjN-Qdy_Wg)

E por falar em realeza, há uma rainha entre nós. Sim, por que a gente não sabe como ela faz: fotógrafa, amazona, promotora do cavalo Árabe, administradora de haras. Ela é mãe dedicada e amorosa, esposa, empresária, nutricionista de destaque. Ajudou a implementar o projeto Kids, o Mulher e o Papo com o Criador da Associação, entre outros. Além disso, atua como Vice-Presidente de fomento da ABCCA. É interessada e interessante, além de estar sempre sorrindo, mesmo quando corre de um lado para o outro. Se você ainda não adivinhou quem é, o nome dela é Cristiane Durante Guardia. Uma reverência, Vossa Alteza.

Wednesday, 19 June 2024

Talento - na Revista do Cavalo Árabe durante a Nacional 2024

Na Revista Cavalo Árabe


 Ou você tem ou não tem. Ok, ok, uma pessoa pode até estudar e desenvolver uma habilidade, mas vamos falar aqui do talento nu e cru, nato, intrínseco, inquebrantável, inalienável. Um dom de Deus.

Aquele que se vê quando um pianista mirim enleva seus ouvintes numa praça de alimentação de um shopping center qualquer. O corredor de Fórmula Um Ayrton Senna pilotando na chuva. Sabe aquele cubo cheio de quadradinhos coloridos em todas as faces que devem ser girados até ficarem juntos, vermelhos com vermelhos, azuis com azuis etc? Há pessoas que conseguem em tempo recorde essa proeza — isso é talento.

Agora, existem dons para o bem e talentos para o mal. O médico que abre a porta do consultório, enfia dois dedos na sua testa, diz: “rinite alérgica” e só não faz a receita ali mesmo na soleira porque precisa da mesa para se apoiar — isso é talento do bem, um diagnóstico rápido e preciso. Você vai à farmácia, compra o remédio e pronto. Os sintomas desaparecem ou arrefecem. Tem aqueles dois amigos que bebiam água após uma corrida, um deles, médico, notou que o outro levava a garrafa plástica à boca de um modo peculiar. Recomendou que o amigo consultasse um determinado especialista. Resultado: um mal de Parkinson detectado precocemente e sendo tratado de acordo! Se não fosse a sapiência do médico...

Há pessoas que têm o talento para irritar. Um exemplo: aquele fulano que pergunta como você faz para tirar uma nota fiscal e, no meio da explicação, puxa um novo assunto e continua como se nada houvesse acontecido. Ou se dirige a outra pessoa e passa a te ignorar. Em geral é gente superficial, gente “borboleta”. Que los hay, los hay.

Extraordinária é aquela mestre-cuca que consegue misturar sabores que deleitam as papilas gustativas das pessoas; fenomenal é a criatura que, com uma bola nos pés tem alcance, visão e precisão para um chute a gol. Algum Palmeirense por aí? Ok, ok, não vamos entrar por essa seara!

O que não dizer daqueles de talentos múltiplos? Um exemplo clássico é o italiano nascido em 1452, Leonardo da Vinci, autodidata, seus dons abrangiam a arte pictórica (Monalisa), a ciência (roda hidráulica) e a inventividade (urbanismo). Embrenhou-se pela escultura (Virgem com a criança a rir), pela anatomia humana (O Tratado de Anatomia), a matemática (aeronáutica), a arquitetura (casas amplas e arejadas) e a engenharia civil (pontes metálicas).

Pois cá estamos em mais uma edição da nossa Nacional do Cavalo Árabe. O ar vibra com as expectativas que envolvem o trabalho de todo um ano (quiçá dois, três anos ou mais) das equipes formadas por criadores, condicionadores, tratadores, veterinários, ferradores, apresentadores e outros tantos dedicados à colocação de um animal em pista para ser julgado. Qual será o exemplar que apresentará o talento que vai arrebatar todas as atenções, pela correção de seus traços, pela sua atitude, por um trote fenomenal? Uma graça de Deus. E tem mais: o seu talento será desafiado. Como está o seu “olho” para detectar aquela joia rara entre tantos concorrentes, sua inteligência emocional está suficientemente à flor da pele para perceber aquele fator a mais, o que os franceses chamam de “je ne sais quois” (não sei o quê) que levará o prêmio máximo para o potro ou potra, égua ou garanhão, coroando uma combinação de genes, um haras e um time competente?

Wednesday, 5 June 2024

Amor em Versos


Acima, o garanhão Lothar NY, criação do Haras Namahê Agropecuária Ltda, fotografado por Tupa.

Veja também o vídeo: Indsky With Diamonds NY e Marcelo

Na Revista Cavalo Árabe de Junho de 2022

 Poesia para os olhos, o cavalo inspirou escritores desde sempre. Como o poeta e dramaturgo escocês William Henry Ogilvie, autor que foi tropeiro no interior da Austrália. Em tradução livre de “O cavalo de seu coração”, Ogilvie diz:

“Há uma parede de quatro pés e um salto poderoso,

e você está feliz em não cavalgar um noviço agora,

mas um experimentado em campanhas, um mestre da arte,

o perfeito artífice – o cavalo de seu coração.”

Assim como Ogilvie, Kim Schilling descreve a felicidade em o “Cavalo e Amazona”:

Galopar em direção à base da montanha escarpada,

olhando a brisa em rajadas em sua crina,

com um toque sutil eu a direciono com as rédeas,

por um momento sereno, todo o tempo parou.

Sentir o poder sob mim é emocionante,

e correndo através da plana campina,

um sentimento me assalta que não posso explicar,

talvez a realidade de levar um tombo,

galopando em direção à base da montanha escarpada.”

                O autor Robert Browning, do famoso “O Flautista de Hamelin”, cria uma fantasia em sua cabeça, para ajudá-lo a cumprir uma tarefa corriqueira: “Botas, sela, ao cavalo, e até o fim! Resgatar meu Castelo, antes que o calor do dia ilumine o azul de seu cinza prateado. Botas, sela, ao cavalo, até o fim!”


O poeta Douglas Stewart captura particularidades de um criador do cavalo Árabe em “The Arabian Horse Breeder”:

“Esse ano eu não posso esperar até a primavera.

Eu usei o Golden Cross e apostei tudo.

A chance de uma vida cruzar com este cavalo,

no Egyptian Event ele ganhou o medalhão de bronze.

Ele é grande, ele é ousado.

Seu nome é “fogo”, eu sei que ele é único.

Logo vou me aposentar.

Bom, a primavera veio, mas não sem surpresa.

A égua teve o potro… Um ruão vermelho com dois olhos azuis...

Agora, mais uma vez, não posso esperar pela primavera,

eu fiz o Golden Cross e apostei tudo.”


E segue mais uma ode ao Árabe, por Chyzh Alena:

“Aroma pungente dos contos de fadas do oriente,

preenche a charmosa imagem das éguas Árabe.

Lindas fábulas como halos de mistério

envolvem essas criaturas divinas na história.

Linhas pitorescas do corpo ideal atraentes como o amanhecer

– douradas e coloridas”.

 

E você, já escreveu um poema inspirado no cavalo Árabe?


Tuesday, 21 May 2024

Haras Namahê Agropecuária Ltda.

 

Desbravador, inovador, inspirador, aplaudido por muitos, copiado por outros: Design by Ariseyn. I have promises to keep and miles to go before I sleep. Branding the future...

Na foto acima, o garanhão Gabriel BHF, Campeão Prata da Nacional do Cavalo Árabe.

Haras Namahê Agropecuária Ltda.
Rua Antônio Rocha 66, Quatis/RJ, CEP: 27370-080.
Telefone: (24) 999 995 266

Localizado em Quatis, Rio de Janeiro, ao pé da serra
de Itatiaia, próximo às divisas com São Paulo e Minas
Gerais, no vale do rio Paraíba do Sul, a apenas 13 km
da rodovia Presidente Dutra, o Haras Namahê ocupa uma
área de 30 hectares e se dedica à criação de cavalos
puro sangue Árabe desde 1991, abrigando animais
próprios e de clientes.

O trabalho desenvolvido pela equipe do Haras busca
aperfeiçoar as aptidões de cada animal desde a mais
tenra idade, iniciando-se aqueles que se adequam a
provas de conformação e acompanhando o seu
desenvolvimento até o preparo para as provas de
performance, tais como o western e o english pleasure,
o trail horse, as corridas em hipódromos e as provas
de enduro.

Dentro dessa filosofia, o Haras obteve boas colocações
em corridas de Puro Sangue Árabe nos hipódromos de
Tarumã (Paraná) e Cristal (Rio Grande do Sul).

Da mesma forma, o Haras montou uma equipe própria para
participações em enduros, vindo a se destacar com os
animais Atika, WS Morgobrah e Ashahir NA, tendo este
último sido o terceiro colocado no Campeonato Brasileiro
de Enduro Equestre de 1993, classificando-se para o
Campeonato Mundial da Holanda em 1994.

Nas provas de conformação, o Haras tem registrado
êxitos sucessivos, situando-se entre
os Top Ten do Circuito Nacional de exposições, por vários anos
ocupando, ainda, o primeiro lugar do Circuito Regional
Rio-Espírito Santo por seis anos consecutivos.

O plantel do Haras Namahê conta com matrizes, filhas
de garanhões de destaque internacional, e seus
produtos tem se colocado entre os melhores nas pistas brasileiras.

A produção de nosso garanhão chefe Snowshill Ariseyn,
em pista somente a partir de 1994, tornou-se entre
aquelas de destaque da criação nacional e em muito
contribuiu para a colocação do Haras Namahê entre os
dez melhores criatórios do ranking da ABCCA ·
Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Árabe.
Seu filho, Quartz NY deu continuidade ao nosso
programa de reprodução e convidamos a todos para notar
em sua produção: atitude, carisma e pequenas cabeças
delicadamente desenhadas que farão corações baterem
mais forte.

Nós pela World Wide Web

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Pinterest do fotógrafo Marçal Duarte 

Portal Cavalus

Enduro Online. 

Revista Cavalo Árabe

Cavalo Árabe Brasil.


Tuesday, 22 August 2023

Na Cavalo Árabe de Julho 2023

 Em Meio a Rosas


Nour dirige como todos por esta parte do mundo: um doido, mas ele é bom no que faz. O caminho pela estrada é de pavimento novo e bem sinalizado. O destino final é a cidade de Petra na Jordânia. Dentro do carro, fornido de muita água gelada e tâmaras in natura, o ar condicionado é mandatório, já que a temperatura alcança picos de calor. Enquanto isso, o guia Mahmoud nos doutrina sobre o que é ser árabe num mundo que, por muitas vezes, encara este ser com desconfiança. Ele nos levou para o melhor restaurante que experimentamos em nossa aventura por essas partes do Oriente Médio: o Don Quixote (Tawaheen Al-Hawa Don Quichotte) em Amã. Um banquete infindável, uma festa para o paladar.

Petra é uma cidade escavada na pedra rosa e vermelha das montanhas de Wadi Musa, trabalho feito pelo povo Nabateu cerca de 312 a.c., quando estes controlavam o comércio de especiarias da região. Nada melhor do que metamorfosear-se em rocha num local cuja natureza é eternamente mutante e num mundo de disputas acirradas por poder. Hoje, eleita Patrimônio da Humanidade pela Unesco e votada como uma das Sete Maravilhas do mundo moderno, é um museu a céu aberto.

Carros são proibidos de se aproximar do sítio arqueológico, mas há muitas outras opções de acesso: cavalos, camelos, burros, carrinhos que fazem lotação de seis pessoas dirigidos pelos (loucos) beduínos, ou até mesmo a prosaica e boa forma de transporte “a pé”. Entre as montanhas, no corredor do cânion (Siq) onde não bate sol, o ar é fresco, porém, no geral, usa-se chapéu junto a protetor solar em volumes industriais. Qualquer desconforto é esquecido em meio aos depósitos sedimentares róseos-avermelhados nos quais os antigos gravaram em desenhos as caravanas que por ali passavam,  ladeando o sistema de captação de água e canalização escavado na pedra, que serpenteia a uns metros do chão.

Gregos, romanos e bizantinos estiveram em Petra e deixaram suas marcas, como as colunatas, os templos, e o monastério. No teatro iniciado pelos Nabateus para 4.000 pessoas e ampliado para 7.000 pelos romanos, o guia nos convida a gritar para sentir a capacidade acústica local.

Um sem número de tumbas reais polvilham as escarpas das montanhas. Al-Khazneh (tesouro) é o nome dado à mais importante edificação local, presumivelmente o mausoléu de um rei nabateu, Aretas IV, com suas colunas, capitéis, frisas e figuras esculpidas no arenito rosa e vermelho. Logo em frente, camelos ficam à disposição daqueles que ousam subir em suas corcovas; vendedores ambulantes oferecem colares, gutras e trajes coloridos. À volta, em cavernas nas escarpas, notamos residências de beduínos que, efetivamente, ali moram. Mahmoud conta um segredo: na verdade, todos eles têm casas normais na cidade, mas vêm para cá na temporada de turismo.

Petra e suas ruínas foram cenário dos filmes Indiana Jones e a Última Cruzada, Transformers e Mortal Kombat, da mesma maneira da novela Viver a Vida.

E já que estamos em Amã, queremos tentar a sorte: visitar o haras real, criatório de cavalos Árabe, assim, sem hora marcada? O motorista Nour talvez conheça alguém... Seria espetacular ver aquela campeã internacional; aquelas belíssimas fêmeas tordilhas e o jovem garanhão de pelo escuro; admirar todos aqueles olhos fenomenais, quase do tamanho de bolas de sinuca; sentir o cheiro do feno cortado que brilha de tão verdinho sobre o terreno branco e arenoso; conhecer a coleção de trajes típicos; apreciar as construções clássicas em meio às exuberantes roseiras de todas as cores... Quem sabe?





Wednesday, 21 June 2023

No Guia dos Garanhões do Cavalo Árabe - 2023

 


O que temos agora em nossas mãos? Um novo aplicativo para relacionamentos? Não! Mas bem podia ser chamado assim! O Índice de Garanhões entrega tudo em cada perfil: fotos e histórico de pista, a estirpe do candidato no box pedigree, as intenções de cada um deles (dar grandes olhos, implantação perfeita de orelhas; esculpir um perfil extremamente côncavo; proporcionar pernas longas, pescoço delgado, atitude, trote elevado...). E mais: a localização e o contato completo para futuros compromissos!

O índice de reprodutores nos dá ferramentas para avaliar o elenco de garanhões que está à disposição atualmente e, finalmente, o proprietário de uma matriz fazer um “match”. Como um partícipe ativo (pode ser partícipe passivo também?), aqueles que se dedicam à preservação de um legado escrevem o futuro com as tintas do passado. Portamos a vara de condão dos mágicos, as equações dos matemáticos, as experiências dos cientistas e propiciamos o ambiente para que haja aquele choque de energia que gera vida — somos o Michelangelo que pinta no forro da Capela Sistina a cena do momento da criação.

Algo misterioso nos impulsiona a valorizar, preservar e reverenciar um ser fisicamente tão poderoso e maior do que nós, que, no entanto, se torna parceiro, amigo, companheiro, cúmplice. E a história se delineia bem diante de nossos olhos — por vezes incrédulos, espantados, o peito sem fôlego — montando como um caleidoscópio, combinações coloridas e exóticas.

Saímos do ambiente virtual e, de repente, numa exposição em que estamos julgando morfologia, uma estrela fulgura. E seu brilho é tão forte que transborda, transcende e toca sua descendência com as qualidades que lhe são inerentes.

Quantos prenderam a respiração ao ver entrar no picadeiro brasileiro um Lumiar Amadeus, um Power World JQ, um Vulcano HVP, celebridades como Nuzyr HCF, RFI Unique, Vivaldi El Shawan, Jyvar Meia Lua e TM Itaipu. Não só impactaram por sua presença como mostram sem sombra de dúvida o potencial de tornar seu legado uma grande contribuição para o desenvolvimento do cavalo Árabe.

Zapeando índices mais antigos, deparamos com perfis de soberanos que aqui chegaram, alguns passando temporadas de monta ou através da importação deles próprios ou de sêmen ou óvulos ou de seus filhos. Ali Jamaal, FA El Shawan, Padrons Psyche (que ofertou ao mundo outro rei, Magnum Psyche, — capa do índice de garanhões de 1999 — recentemente perdido e a quem nosso amigo Reinaldo da Rocha Leão reverencia na edição desta revista), Bandit SRA, Marwan al Shaqab, Dominic M...

Esse atual “aplicativo” é um convite para que levemos (ou sigamos!) o cavalo Árabe para as próximas gerações. E observe-se aí que sua influência não se limita ou limitará às terras nossas, mas também vão atravessar mares e, porque não dizer, derrubar fronteiras para espalhar sua prepotência e arrebatar corações estrangeiros.

Wednesday, 26 April 2023

Na Revista Cavalo Árabe no. 60



A palavra explica?


As patas de nossos Cavalos Árabe nos levam a países distantes com frequência cada vez maior. Saber falar alguma coisa das línguas diversas com que nos deparamos pode ser uma questão de sobrevivência e também de gentileza. Muitas vezes, no entanto, podemos passar por uma “saia justa”. Um exemplo é que um homem nunca estará “embaraçado” na língua espanhola, ao passo que uma mulher não necessariamente estará... grávida.

Vejam só que interessante: em espanhol, um floreiro é um vaso; um vaso é um copo; uma copa é uma taça; uma tassa é uma xícara e a palavra xícara não existe!

Quando estiver na Bolívia, não use o exclamativo “Opa!” para uma pessoa: significa que você a está chamando de tola, boba. Se na Alemanha, não banque o engraçadinho e chame o garçom de “Oba”, a forma correta é “Herr Ober” – senhor garçom - e eles são muito sensíveis sobre esta questão. Houve aquele pobre guia turístico brasileiro que ciceroneou um grupo de torcedores numa Copa do Mundo de Futebol e, dentro de uma cervejaria em Rothenberg, achou que era importante instrui-los sobre isto. Já dá para imaginar que a ideia não foi muito feliz e que o tiro saiu pela culatra, certo?

Se dentro de casa temos designações diferentes para a mesma coisa, como aipim e mandioca ou bidê e criado-mudo ou mesinha de cabeceira, entre Brasil e Portugal a confusão pode ser maior ainda. O escritor Mário Prata tem um livro ótimo sobre o assunto e não só as diferenças que ele aponta entre o que se fala nos dois países são curiosas como a forma, a maneira com que o autor descreve as situações em que se meteu são engraçadíssimas. O “Schifaizfavoire, um Dicionário de Português” pode ser de grande auxílio para quem gosta de ler manuais de instrução de aparelhos elétricos e eletrônicos, que foram traduzidos na versão lusa, uma vez que nele aprendemos, por exemplo, que “carregar” significa apertar...

Caso uma pessoa de língua inglesa diga “I am going to be candid with you...”, esteja preparado para a possibilidade de ouvir uma coisa que não vai gostar. A tradução literal de “candid” é cândido(a), que nós podemos interpretar como algo doce, suave, infantil, sem maldade (em São Paulo é sinônimo de água sanitária!). Na verdade, significa que seu interlocutor vai ser absolutamente sincero com você e provavelmente brutalmente honesto!

A palavra “exquisite” em inglês não significa esquisito(a) no sentido que usamos de coisa diferente, estranha e se um expert - expierto(a) em espanhol - do meio do Cavalo Árabe lhe disser que seu animal é “exquisite”, não se ofenda: é um elogio! Elegante, requintado e primoroso se aplicam!


Tenham todos uma ótima exposição Nacional do Cavalo Árabe!

imagem: praticadapesquisa

Thursday, 18 November 2021

Revista Cavalo Árabe Novembro 2021

 Uma revista tem duas formas de contar histórias, através dos textos e através das imagens. As fotografias têm um apelo maior ao leitor porque capturam nossa atenção de imediato. Seja por um impacto ou por um detalhe. Sabemos que fotografar cavalos não é fácil, não raro o animal fica distorcido, pouco natural. É preciso desenvolver a técnica e, obviamente, ter sensibilidade para retratar o melhor momento.

Conheçam alguns dos fotógrafos do Cavalo Árabe no Brasil: Rogério Santos, Luiz Rocco, André Shiwa, Renato Sorvilo e Leonardo (Tupa) Rafalovich respondem a nossas perguntas.

 


Extensão de Casa

Como surgiu a fotografia de cavalos em sua vida?

“As baias eram uma extensão de casa”, diz Renato Sorvilo, que cresceu frequentando o haras da família. As fotos de Chico Audi, Stuart Vesty e Gigi Grasso o inspiraram a seguir a profissão. Luiz Rocco já fotografava iatismo e corridas de motos quando assumiu o jornalzinho da ABCCA em 1983 e precisou de imagens para ilustrar matérias. Rogério Santos seguia o caminho do fotojornalismo quando clicou um cavalo Árabe pela primeira vez em 1986 em São João da Boa Vista para a revista Desert News. Da mesma forma, André Shiwa trabalhava como fotógrafo part-time para o segmento de beleza e moda; adquiriu seu primeiro Árabe no início de 2000 e a oportunidade surgiu. Leonardo (Tupa) Rafalovich acompanhava o pai, fotógrafo de hipismo e polo, e iniciou seus cliques aos 12 anos numa prova de salto.

 Você já criou cavalo Árabe? Como foi a experiência?

André Shiwa diz: “Tive uma pequena e curtíssima experiência... Nascidos, uma fêmea (que tenho até hoje) e dois machinhos.” Renato Sorvilo conta: “Como disse, minha família cria cavalos desde 1992. Cresci no meio deles, aprendi a ver os animais desde novo. É sempre muito gratificante assistir a um nascimento e ao passar dos anos acompanhar gerações, ver sua criação tomar o rumo que pretendia. A experiência sempre é única e a maior consagração são os títulos e alegrias que vêm junto no pacote.” Leonardo (Tupa) Rafalovich responde: “Nunca criei.” Luiz Rocco informa: “O Haras Clio já tem 38 anos e nosso maior orgulho são as 3 Campeãs Nacionais que criamos.” Rogério Santos relata: “Tive 3 éguas, mas criei com apenas uma, a FAI Murana filha de Shaick Shaklan. Ela me deu um Campeão Nacional de Western, Cezanne; um Campeão de Tambor Salvvatore e uma linda potra, La Fortunata por Power World que foi Reservada Campeã em Las Vegas.”

 Endiabradas e encrenqueiras

Conte uma situação marcante (não necessariamente com cavalo) numa fazenda.

A ideia era criar imagens artísticas com composições que capturassem os cavalos e a paisagem do Haras Santo André do Sr. José Eduardo e André Guimarães (MT), relata André Shiwa. “Com os primeiros raios de sol, preparamos tudo, éguas tordilhas, equipe posicionada, mais a "arma secreta" para o sucesso das fotos (rs). Tentamos uma em que as fêmeas pastavam à beira do lago. Mas, quando se trata de fotos de cavalos, nem tudo sai como definido no "script" (rs). Algumas éguas acordaram endiabradas e não foi possível ter a paz desejada. Após vários cliques, elas corriam, algumas de orelha murcha, decidi parar e observar o grupo. Identifiquei as encrenqueiras e decidimos tentar com a luz da tarde, sem a presença delas. Então, outro obstáculo: o tempo. O céu fechou e uma tempestade se aproximava. Éguas a postos harmoniosamente como precisávamos, faltava a luz necessária. Posicionado na margem oposta do lago, aguardava a providencial brecha no céu. Os assistentes atrás de mim esperavam um sinal para chamar a atenção das éguas com uma lona para eu fazer o clique. A luz finalmente veio, os assistentes agiram conforme ensaiado... Considero o resultado um dos meus melhores. Infelizmente, eu tinha na época um equipamento da 1ª. geração de câmeras digitais, e não proporcionava um arquivo com a qualidade que essa imagem merecia. Essa experiência no Santo André, apesar do calor absurdo, foi inesquecível e deixou saudades. Sem dúvida, a melhor equipe de haras com quem já trabalhei até hoje.”

 Eis a história de Rogério Santos: Meu avô tinha uma fazenda de criação de gado em Itapetininga, na adolescência adorava ir pra lá nas férias. Certo dia estava com ele no pasto quando chegou um vizinho galopando um alazão e começou a conversar com meu avô. Enquanto eles conversavam comecei a observar o cavalo: não era muito alto, mas imponente, era irrequieto, mas não nervoso e muito bonito. Eles se despediram, o cavalo se virou num átimo e saiu num galope forte, só deu tempo de reparar a cauda levantada espalhafatosamente, escondendo o cavaleiro. Meu avô, vendo que eu observava o cavalo disse: "Esses cavalos Árabes são pequenos, mas ligeiros e bons de trabalho". Foi ali que conheci o cavalo Árabe, nunca mais me esqueci desse lindo alazão.

 Luiz Rocco e a deadline: “Num leilão do Haras Por do Sol eu tive apenas um dia para fotografar todos os 32 animais. Não paramos um minuto e deu tudo certo, graças ao Tião (que depois foi para o Haras Forx) e ao Mauro.”

 Renato Sorvilo considera: “Diria que foi quando vendi minha agência de publicidade e fui me aventurar nos EUA sem ter fechado trabalho com ninguém. Segui para Scottsdale com passagem de ida e volta e hotel para alguns dias. Bati na porta do Rodolfo Guzzo que me acolheu e acabei ficando mais tempo. Nesse momento comecei a trabalhar fora do país; Rodolfo e Sandro Pinha em minhas idas para lá sempre me ajudam com trabalho. Sou muito grato a eles pelas portas que me abrem.”

 Leonardo (Tupa) Rafalovich e um susto: “Meu Pai levou um coice de um garanhão PSI que estava rodando no cabo, ele acabou caindo e quebrando o braço.”

 


A primeira ninguém esquece

Recordação impactante de uma exposição.

Rogério Santos afirma: “Foi a minha primeira Nacional em 1986. Um espetáculo lindo, maravilhoso, inesquecível!” Luiz Rocco e a 13ª. foto: “Certa vez cobrindo uma exposição em Itapetininga eu já havia encerrado os cavalos e não tinha mais filmes comigo para usar e foi um tal de pedirem fotos com o prefeito, vereador, presidente do sindicato rural, etc. Foi um tal de dar “chapa 13” em todo mundo, que no jargão antigo do fotojornalismo seria fingir que se tira uma foto, isso quando os filmes tinham apenas 12 fotos.” André Shiwa lembra: “Na minha 1ª. viagem à Arábia Saudita, no Al Khaledia Farm, o handler Terry Holmes (que na época já não era nenhum jovenzinho) correu de forma absurda por praticamente 2 laterais da enorme pista trotando o cavalo Nesj El Khidars Treasure, e quando passou por mim (que estava do outro lado da pista) com o cavalo ao passo, nem parecia que tinha feito tamanho esforço.” Renato Sorvilo conta: “As 2 passagens mais marcantes com toda certeza foram a consagração do campeonato da Breeder’s Cup em 2013, com a Querydda Sams sendo Pemium Cup, e o Campeonato Cavalo de 2009 com Form Carrilon, para mim ambos os maiores prêmios que um criador pode ter no país.” Leonardo (Tupa) Rafalovich diz: “Nossa! Foram tantas Exposições! Não me lembro de algo tão marcante.”

 Patamar Altíssimo

Dos equipamentos fotográficos que já usou, qual o seu preferido? Fale sobre a evolução deles.

Leonardo (Tupa) Rafalovich avalia: “Meu preferido é a Canon que comprei recentemente; não possui mais espelho, e tem uma velocidade de foco e qualidade incrível! Comecei com filme, passei para digital, e as máquinas vão evoluindo lentamente, agora estão num patamar que considero altíssimo.” Renato Sorvilo diz: “No início usava filmes 35mm da Kodak e uma câmera Minolta, mas com o aperfeiçoamento para digital logo passei a usá-lo. Minha preferência sempre foi por Canon que desde o início teve melhor foco e custo benefício, mas creio que hoje é bem similar às demais. Constantemente são lançadas novas câmeras, é difícil acompanhar o mercado: um conjunto de câmera e lentes de qualidade tem valores elevados. Tive a oportunidade de manusear os melhores equipamentos profissionais do mercado e se fosse optar por um seria a Hasselblad, fabricante das melhores câmeras e lentes disponíveis.” André Shiwa avalia: “Canon, que uso desde 1989, principalmente para fotografar qualquer coisa que se movimente rápido e erraticamente. A precisão de foco automático da Canon para este tipo de fotografia ainda é superior. Hoje, para fotografar pessoas, viagens, paisagens, etc, eu utilizo mais minha câmera da Fujifilm. Luiz Rocco considera: “Só usei Nikon até hoje, sempre fui fiel à marca. E nunca usei uma totalmente profissional, a que uso desde 2009 é uma D90, que é semiprofissional. Um curso que fiz com o famoso Jerry Sparagowski me mostrou que não é preciso ter uma máquina de última geração. O timing é o que importa.” Rogério Santos relata: “Meu equipamento preferido é o da Nikon. Comecei, é claro, fazendo em câmaras analógicas, fotografava e revelava meus próprios filmes. A fotografia digital aconteceu em minha vida na Nacional de 2003. Não gosto de dizer que evoluiu, mas mudou muito. Tive que reaprender a operar o equipamento, no entanto a essência continua a mesma.”

 Você costuma mudar de lentes numa sessão fotográfica? Quais são as que usa?

Rogério Santos: “Como o cavalo é um assunto difícil de ter controle total muitas vezes o tempo de trocar as lentes faz com que se perca momentos fotográficos importantes, que jamais te serão restituídos. Para exposições eu gosto de usar a zoom 100/400 e para fotos em Haras zoom 80/200, as duas da Nikon.” Luiz Rocco: “Não troco as lentes pois uso um zoom que vai de 70 a 300mm que mesmo não tendo uma luminosidade ideal é bem versátil.” André Shiwa: “Geralmente, em sessões fotográficas de cavalos, não.” Renato Sorvilo: “Com certeza depende muito de cada situação e a distância e onde será a sessão, para cada tipo de imagem uso um conjunto diferente.” Leonardo (Tupa) Rafalovich: “Utilizo uma 70 200mm ou uma 100 400mm dependendo da luz ou distância que preciso trabalhar.”

 


O artista e fotógrafo americano Man Ray (1890 – 1976) diz: a luz tudo transforma.

Qual a luz e o horário que mais lhe agradam? A pelagem de um cavalo pede manhã, tarde, ocaso?

André Shiwa avalia: “A melhor qualidade de luz está não só no horário do dia, mas também na época do ano. Prefiro o outono e o inverno, horários em que o sol esteja baixo, seja de manhã ou à tarde. Fotografar em finais de tarde, nos casos de fotos mais artísticas. Quanto às pelagens, tordilhos (bem claros) pedem uma luz ainda mais suave. Para os castanhos escuros e negros, procuro usar a luz a favor e evitar direção de luz que cause sombras pesadas na cabeça e também a contraluz. Sem as condições de luz ideais, fazemos o melhor possível com as condições presentes.” Leonardo (Tupa) Rafalovich diz: “Sempre de manhã cedo ou fim de tarde. Com essa luz consigo uma imagem com traços mais suaves.” Luiz Rocco conta: “Gosto de fotografar no período da manhã, as cores são mais neutras e começo sempre com os tordilhos. À tarde os tons mais quentes do Sol dão fotos mais bonitas, com chance de se fazer algo mais elaborado.” Renato Sorvilo comenta: “A luz que mais me agrada é bem cedo ou final de tarde; a luz tem que iluminar o cavalo como um todo, detesto luz dura!!! Ao meu ver a pelagem não influencia tanto no horário, mas sim o tipo de luz que reflete nele.” Rogério Santos pondera: “Meus horários preferidos são entre 16 e 17h e também 7 e 8h. Considero a luz da manhã mais vibrante e da tarde mais suave. O importante é evitar horários em que a luz projeta muita sombra.”

 Cavalo Emburrado

Existe cavalo que não seja fotogênico?

Luiz Rocco: “Sim, existe o cavalo emburrado, que não gosta de pressão ou muito movimento ao redor dele. Tem também aquele que é bem mais bonito ao vivo do que nas fotos.” Rogério Santos: “Tem cavalos lindos que não têm tanta expressão e cavalos que parecem se expressar o tempo todo”. André Shiwa: “Existe sim, assim como pessoas. Veja que interessante, há cavalos que ao vivo impressionam plasticamente, mas que em fotos, todos os detalhes são "congelados", e não aparecem tão bonitos.” Renato Sorvilo: “É muito louco pensar nisso, mas para mim, existem cavalos que não são fotogênicos e também existem cavalos que um determinado lado é melhor que o outro. Tento sempre antes de começar a sessão analisar o cavalo e pensar qual o angulo vai favorecê-lo.” Leonardo (Tupa) Rafalovich: “Sim, alguns podem até ser bonitos e bem conformados, mas não fotografam bem.”

 


O cavalo em primeiro lugar

Antes do evento da câmera digital, gastava-se muito papel para imprimir todas as fotos tiradas e escolher as melhores. Hoje em dia o processo é mais rápido, no entanto, o volume de imagens aumentou exponencialmente. O que você prioriza para escolher entre tantas?

Rogério Santos: “A minha prioridade é o cavalo, depois vejo a qualidade técnica da foto. É claro que no digital se gasta mais tempo pois se fotografa muito mais, cerca de 5 vezes mais, que as câmeras analógicas, mas a chance de obter melhores imagens aumenta na mesma proporção.” Luiz Rocco: “Mesmo com um volume grande de fotos, o computador facilita na hora de escolher as melhores. O que não pode haver nessa hora é dúvida do que é bom e o que é ótimo.” Leonardo (Tupa) Rafalovich: “Em primeiro lugar algumas características morfológicas apreciadas pelos criadores. Ou pelo equilíbrio do animal todo na foto ou por alguma característica muito marcante. Em segundo lugar vem o fundo.” André Shiwa: “Faço uma pré-seleção e depois vou refinando essa seleção. Minhas prioridades são: Qualidade técnica da imagem (foco e exposição), composição (que no caso de fotos de cavalo tem muito a ver com o "timing").” Renato Sorvilo: “Hoje não há limites desde que tenha memória pra isso (rs). O processo agora é tão demorado quanto antes devido ao número de imagens que se tem de cada animal, em minha seleção sempre priorizo a que mostre melhor o animal e que vá causar impacto no observador. É sempre difícil ter imagens que superem as expectativas dos clientes então, sempre mando uma seleção de 10 a 15 imagens para que possamos escolher juntos.”

 Você tem alguma foto que seja a sua preferida entre as milhares que já tirou? Em halter? Em movimento?

Renato Sorvilo: “É difícil ter uma preferida, cada imagem retrata um tempo, mas se fosse escolher uma seria a foto do Form Carrilon que fiz nas baias do Longuini em Boituva. Minha preferência é sempre pelas fotos de movimento, não há nada mais bonito que a sincronia das crinas, do topete e da cauda com a conformação de um cavalo Árabe. Para mim é um animal único, que permite fotos deste gênero com a beleza ímpar da raça.” André Shiwa: “De cavalo árabe, creio que não consigo eleger apenas uma preferida. Acho que tenho umas 5 fotos preferidas (rs). Um retrato, duas de movimentação, uma de composição e acho que apenas uma de halter.” Leonardo (Tupa) Rafalovich: “Nossa! São muitas! Mas uma marcante é a foto da Renee El Jamaal tirada no CT Chiquinho Rego.” Luiz Rocco: “Gosto de fazer halter de corpo inteiro, tenho várias prediletas mas as que mais gosto são uma do Ali Jamaal relinchando e uma do CG Balih El Jamaal. Já em movimento a foto da NV Angélica que virou capa de livro internacional.” Rogério Santos: “Eu gosto mais das fotos em movimento, é onde o cavalo Árabe mostra todo o seu diferencial. Sua nobreza, seu carisma, sua intensidade são momentosos. É difícil escolher depois de ter fotografado tanto, mas estou gostando de duas fotos que fiz na Nacional passada, as duas em movimento, uma mais ostentosa do El Jahez ao trote de entrada em pista e outra mais solene da Lumiar Ethna ao passo.